Resposta direta: a Microsoft não vende mais capacidades Power BI Premium (P1 a P5). Cada assinatura P é aposentada no fim do contrato vigente e não pode ser renovada por Enterprise Agreement ou Microsoft Cloud Agreement que esteja vencendo. O caminho é comprar uma capacidade F do Microsoft Fabric no Azure (a P1 equivale à F64) e reatribuir os workspaces antes do fim do contrato.
A comparação Fabric capacity vs Power BI Premium virou assunto urgente para quem é responsável pela licença de BI. A boa notícia: para a maior parte dos relatórios, a migração é uma troca de capacidade, sem refazer nada. A atenção está no calendário do contrato, no dimensionamento e em alguns detalhes que derrubam atualizações se ninguém olhar.
O que aconteceu com o Power BI Premium?
As capacidades Power BI Premium por capacidade (SKUs P) estão sendo aposentadas. Segundo o guia oficial de migração do Power BI Premium para o Fabric, cada assinatura P termina no fim do seu prazo contratual atual. Quem ainda tem um Enterprise Agreement ativo pode manter e renovar a P anualmente até o fim desse EA.
Depois que a assinatura P termina, a Microsoft aplica um cronograma de carência:
| Fase | Quando | O que acontece |
|---|---|---|
| Carência | Dias 1 a 30 após o fim | A capacidade continua funcionando, sem custo |
| Acesso limitado | Dias 31 a 90 | Operações interativas ficam lentas (throttling) |
| Bloqueio total | A partir do dia 91 | Todas as operações são rejeitadas; dados ficam retidos, mas inacessíveis |
A Microsoft recomenda tratar a carência apenas como rede de segurança. O plano de migração deve terminar antes do fim do contrato.
O que não muda: o Premium Per User (PPU) continua ativo e fora da aposentadoria. Licenças Pro e PPU dos usuários seguem iguais.
Qual capacidade F equivale à minha P1?
A P1 equivale à F64. A equivalência é feita por CU (Capacity Unit): cada v-core da P corresponde a 8 CUs.
| SKU P | SKU F equivalente | CUs | v-cores (P) |
|---|---|---|---|
| P1 | F64 | 64 | 8 |
| P2 | F128 | 128 | 16 |
| P3 | F256 | 256 | 32 |
| P4 | F512 | 512 | 64 |
| P5 | F1024 | 1.024 | 128 |
Fonte: Microsoft Learn, Power BI Premium P SKU migration decision guide, atualizado em 22/07/2026.
A tabela compara poder computacional. A própria Microsoft recomenda usá-la como ponto de partida e depois ajustar pelo consumo real medido no aplicativo Microsoft Fabric Capacity Metrics. Há empresas que usam pouco da P1 e podem descer para uma F32, desde que aceitem licenciar os leitores com Pro.
Para saber quanto cada capacidade custa no Brasil, veja nosso guia de preço do Microsoft Fabric de F2 a F64.
O que muda para usuários e relatórios?
Para o usuário final, nada muda se a nova capacidade for F64 ou maior. Leitores com licença gratuita e papel de Visualizador continuam abrindo relatórios como antes. Relatórios, modelos semânticos, atualização incremental, agendamentos, apps e pipelines de implantação seguem funcionando após a reatribuição na mesma região.
O que muda está na administração:
| Item | Capacidade P | Capacidade F |
|---|---|---|
| Onde se compra | Centro de administração do Microsoft 365 | Portal do Azure |
| Cobrança | Compromisso mensal ou anual | Pague pelo uso por segundo ou reserva |
| Preço | Global | Regional |
| Autoscale | Opcional | Não existe; usa redimensionamento manual e overage |
| Pausar e retomar | Não disponível | Disponível |
| Leitor sem Pro | Permitido | Permitido só a partir da F64 |
| Power BI Report Server | Incluído | Incluído com reserva F64 ou maior |
Atenção ao ponto mais sensível: se a empresa escolher uma capacidade menor que F64 para economizar, todo leitor passa a precisar de Power BI Pro. A conta de licenças pode anular a economia na capacidade.
Como migrar do Power BI Premium para o Fabric, passo a passo?
A migração segue seis etapas, e a ordem importa: compre a F primeiro, reatribua, valide e só depois cancele a P.
- Inventário. Liste todos os workspaces na capacidade P, os donos, os gateways usados, os modelos em formato de armazenamento grande e os horários de atualização.
- Medição. Abra o Capacity Metrics na capacidade P e analise o maior período disponível. Picos perto de 100% indicam F64 ou maior; uso baixo permite avaliar SKU menor ou pausa fora do horário.
- Criação da capacidade F. Compre a F no Azure, na mesma região da P. Cadastre os administradores da capacidade e recrie as configurações de carga (por exemplo, limites de memória de modelos semânticos).
- Piloto. Reatribua dois ou três workspaces de baixo risco. Dispare uma atualização manual e confirme que a próxima atualização agendada roda.
- Reatribuição em ondas. Mova os demais workspaces fora das janelas de atualização. Atualizações em andamento podem ser interrompidas no momento da troca.
- Desligamento. Com tudo validado, confirme o licenciamento do Report Server (se usado) e só então cancele a capacidade P.
Em migração na mesma região, a Microsoft indica tempo de indisponibilidade zero para itens padrão do Power BI, exceto atualizações em execução. Em migração entre regiões, modelos em formato de armazenamento grande e itens do Fabric (Lakehouse, Warehouse, notebooks, pipelines) precisam ser salvos e recriados. Por isso evitamos trocar de região durante a migração.
O que dá para ganhar além da troca de licença?
A capacidade F já inclui toda a plataforma Fabric. A mesma capacidade que roda os relatórios pode rodar Data Factory, Lakehouse, Warehouse e notebooks, com os dados centralizados no OneLake.
Na prática, a migração é uma boa hora para atacar problemas antigos:
- Dataflows e planilhas espalhados podem virar pipelines governados no Data Factory.
- Modelos semânticos pesados podem ler dados direto do Lakehouse no modo Direct Lake.
- Cargas noturnas que estouram a P podem ser reorganizadas em camadas, como na arquitetura medalhão com bronze, prata e ouro.
Um cuidado: novas cargas consomem CUs. Se você pretende adicionar engenharia de dados depois da migração, considere esse consumo no dimensionamento da F. Para decidir se vale ir além do Power BI, leia Fabric ou Power BI: quando você realmente precisa do Fabric.
Quais riscos e cuidados considerar?
Os riscos estão no contrato e no calendário, mais do que na tecnologia. Os pontos que conferimos em toda migração:
- Data de renovação do contrato. Descubra quando o EA ou o contrato com o parceiro termina e trabalhe de trás para frente.
- Tipo de contrato. EA, CSP e compra direta no Azure têm regras diferentes de faturamento e reserva. Confirme com o parceiro de licenciamento ou com o representante Microsoft.
- Região. A capacidade F tem preço regional. Brazil South custa mais que regiões nos Estados Unidos, mas mudar de região exige recriar itens e reconfigurar gateways.
- Faturamento em dólar. A F passa a aparecer na assinatura do Azure. Combine com o financeiro quem aprova e acompanha esse custo.
- Report Server. Quem usa Power BI Report Server precisa de reserva F64 ou maior, ou SQL Server Enterprise com Software Assurance.
- Autoscale. Se a P usava autoscale nos picos, defina antes como tratar os picos na F: tamanho maior, overage ou reorganização das cargas.
Caso ilustrativo: migração de uma P1 em quatro semanas
Cenário ilustrativo, montado a partir de situações comuns em projetos de dados. A empresa e os números são hipotéticos; as regras de migração são as oficiais da Microsoft.
Contexto. Uma rede de clínicas com 40 unidades usava uma P1 com 34 workspaces, 3 gateways para o sistema de gestão hospitalar local e cerca de 1.200 leitores sem licença Pro. O Enterprise Agreement vencia em 90 dias e não podia renovar a P1.
Decisão de capacidade. O Capacity Metrics mostrou picos de 82% nas manhãs de segunda-feira. Com 1.200 leitores, descer abaixo de F64 exigiria Pro para todos (cerca de US$ 16.800 por mês em licenças). A escolha foi F64 com reserva de 1 ano, na mesma região da P1.
Execução.
| Semana | O que foi feito |
|---|---|
| 1 | Inventário dos 34 workspaces; 6 workspaces sem uso há mais de 6 meses foram arquivados |
| 2 | Compra da F64, cadastro de administradores, ajuste de limites de memória e piloto com 3 workspaces |
| 3 | Reatribuição dos 25 workspaces restantes em 3 ondas, sempre fora da janela de atualização |
| 4 | Monitoramento, validação das atualizações agendadas e cancelamento da P1 |
O incidente evitado. No piloto, dois modelos semânticos abriram normalmente depois da reatribuição, mas a atualização agendada da madrugada seguinte falhou por credencial de gateway vinculada a um usuário desligado. Como o roteiro exigia validar a próxima atualização agendada, o problema foi corrigido antes das ondas de produção.
Resultado. Nenhum relatório ficou fora do ar, os leitores não perceberam a troca e a migração terminou 8 semanas antes do vencimento do contrato.
Resumo para encaminhar à diretoria
- Problema: a Microsoft aposenta as capacidades Power BI Premium (P) no fim do contrato atual, sem renovação.
- Opções: migrar para a capacidade Fabric equivalente (P1 para F64) ou redimensionar para baixo, licenciando leitores com Pro.
- Risco: sem migração, os relatórios entram em lentidão a partir do dia 31 e param no dia 91 após o fim do contrato.
- Recomendação: migrar na mesma região, comprando a F antes de cancelar a P, com piloto e validação de atualizações.
- Próximo passo: levantar a data de fim do contrato e montar o plano de migração.
Perguntas frequentes sobre a migração do Power BI Premium para o Fabric
Meus relatórios param durante a migração?
Na mesma região, a Microsoft indica indisponibilidade zero para relatórios e modelos padrão. Só atualizações em execução no momento da troca podem ser interrompidas, por isso a reatribuição é feita fora da janela de atualização.
Preciso migrar tudo de uma vez?
Não. Os workspaces são reatribuídos um a um. O recomendado é começar por um piloto e seguir em ondas, mantendo a P ativa até o fim.
A F64 equivale à P1?
Em poder computacional, sim: ambas têm 64 CUs. A F64 também permite que leitores sem Pro vejam relatórios, como a P1. As diferenças estão na cobrança (Azure, regional, com pausa) e na ausência de autoscale.
Quem compra a capacidade F na empresa?
A F é comprada no portal do Azure, normalmente por TI ou pelo time que administra a assinatura Azure. Em contratos CSP, a compra passa pelo parceiro de licenciamento.
Quanto tempo leva uma migração típica?
Uma migração na mesma região, com inventário, piloto e reatribuição em ondas, costuma levar de duas a quatro semanas. O prazo cresce com o número de workspaces, gateways e itens que precisam de ajuste.
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Daniel Luz
CEO da beAnalytic. Na liderança da empresa há mais de 6 anos, minha missão é transformar a forma como as organizações enxergam e utilizam dados para tomar decisões estratégicas. Ajudo empresas a destravar insights valiosos, impulsionar eficiência operacional e gerar impacto financeiro real, com uma equipe especializada em Business Intelligence, Engenharia de Dados e Machine Learning.
