Data Lake vs Data Warehouse: qual sua empresa precisa

Capa: data lake vs data warehouse, sala de servidores em tom azul duotone
Sumário

Data lake e data warehouse são dois modelos de armazenamento de dados com propósitos diferentes: o data warehouse guarda dados já estruturados e prontos para análise, enquanto o data lake guarda dados brutos, de qualquer formato, para uso posterior. A escolha entre data lake e data warehouse não é sobre qual ferramenta é “melhor”, é sobre qual problema sua empresa precisa resolver agora.

Esse é o erro mais comum que vemos em projetos de dados: a empresa compra uma ferramenta de data lake ou contrata um data warehouse na nuvem esperando que isso, sozinho, resolva a bagunça dos dados. Não resolve. Tecnologia sem método de estruturação, governança e integração vira só um custo a mais na conta da cloud. Neste artigo você entende as diferenças reais, quando usar cada modelo e como decidir com base no seu momento de maturidade em dados, não no modismo do mercado.

Resposta curta (regra de bolso)

Se sua necessidade é gerar relatórios, dashboards e indicadores confiáveis para a gestão, comece por um data warehouse. Se sua necessidade é armazenar grandes volumes de dados brutos, de fontes variadas, para alimentar modelos de machine learning ou análises exploratórias, um data lake faz mais sentido.

Na prática, a maioria das empresas de médio e grande porte acaba precisando dos dois, em algum momento, ou de uma arquitetura híbrida (o lakehouse, explicado mais adiante). A pergunta certa não é “lake ou warehouse”, é “qual dado eu preciso confiável para decisão de negócio hoje, e qual dado eu preciso guardar bruto para explorar depois”.

O que é Data Warehouse

Data warehouse (DW) é um repositório central de dados estruturados, já limpos, tratados e organizados em um esquema (schema) definido antes da carga, o chamado “schema-on-write”. Os dados chegam de sistemas como ERP, CRM e bancos transacionais, passam por um processo de ETL (extração, transformação e carga) e ficam prontos para consulta rápida por ferramentas de BI.

A principal vantagem do DW é a performance de consulta: como o dado já está estruturado e validado, relatórios e dashboards rodam rápido e de forma consistente. A principal limitação é a rigidez: incluir uma nova fonte de dados ou um novo formato exige redesenhar parte do esquema, o que consome tempo de engenharia.

Um data warehouse moderno bem estruturado é a base que sustenta análises de business intelligence confiáveis. Sem ele, cada área da empresa tende a manter sua própria versão da verdade em planilhas soltas, e a gestão perde a visão consolidada do negócio.

O que é Data Lake

Data lake (DL) é um repositório de armazenamento que guarda grandes volumes de dados brutos, de qualquer formato (estruturado, semiestruturado ou não estruturado), sem exigir um esquema definido antes da gravação. O esquema só é aplicado no momento da leitura, o “schema-on-read”.

Isso torna o data lake mais barato para armazenar grandes volumes (normalmente sobre object storage em nuvem, como Amazon S3 ou Azure Data Lake Storage) e mais flexível para receber dados de fontes muito diversas: logs de sistema, imagens, arquivos JSON, planilhas, dados de sensores. Por outro lado, sem governança, um data lake vira rapidamente um “data swamp”: um repositório de dados que ninguém consegue confiar ou consultar de forma confiável.

Data lakes são o ambiente natural para cientistas e engenheiros de dados que precisam de acesso a dados granulares para treinar modelos de machine learning, fazer análises exploratórias ou testar hipóteses antes de consolidar algo em produção.

Rack de servidores com cabos de rede, representando infraestrutura de data warehouse e data lake

Comparativo completo

Tipo de dado

  • Data Warehouse: apenas dados estruturados, organizados em tabelas relacionais (esquema estrela ou floco de neve).
  • Data Lake: dados estruturados, semiestruturados e não estruturados, todos no formato nativo em que chegaram.

Custo

  • Data Warehouse: custo de armazenamento mais alto, já que o dado passa por processamento e validação antes de ser gravado; em muitas plataformas, storage e processamento são cobrados de forma acoplada.
  • Data Lake: custo de armazenamento mais baixo, por usar object storage em nuvem, com separação entre armazenamento e processamento (você paga por processamento só quando consulta o dado).

Usuários

  • Data Warehouse: analistas de BI, gestores e áreas de negócio que precisam de relatórios e dashboards confiáveis e rápidos.
  • Data Lake: engenheiros de dados, cientistas de dados e times de machine learning que precisam de acesso a dados brutos e granulares.

O híbrido: lakehouse

O data lakehouse é uma arquitetura que combina o armazenamento barato e flexível do data lake com os recursos de governança, performance de consulta e transações confiáveis (ACID) do data warehouse. Na prática, o lakehouse aplica uma camada de metadados e catálogo sobre o object storage do data lake, permitindo indexar dados, aplicar esquemas e rodar consultas SQL com performance próxima à de um warehouse tradicional, sem duplicar o dado em dois sistemas separados. Essa camada de metadados e catálogo é parte do que chamamos de arquitetura de dados: o desenho de como os dados fluem, se conectam e são governados de ponta a ponta.

Plataformas como Databricks, Snowflake e o BigQuery (com BigLake) já oferecem esse modelo híbrido nativamente. A vantagem central é reduzir a necessidade de manter dois pipelines separados (um para o lake, outro para o warehouse), o que diminui redundância, custo de integração e risco de inconsistência entre sistemas.

Isso não significa que toda empresa precisa de um lakehouse agora. Empresas com necessidades analíticas mais simples, focadas em BI e relatórios, continuam bem atendidas por um data warehouse moderno em nuvem (Snowflake, Amazon Redshift, Google BigQuery ou Azure Synapse Analytics). O lakehouse ganha sentido quando a empresa já lida com grande volume de dados não estruturados e projetos de machine learning em produção.

Cenários reais de projetos nossos

Na beAnalytic, o ponto de partida nunca é “qual ferramenta comprar”, é entender o que a empresa precisa decidir com o dado. Em um projeto com uma distribuidora de combustíveis, por exemplo, a estruturação de um Data Warehouse permitiu consolidar dados de mais de 20 integrações automatizadas (robôs de integração) alimentadas por um pipeline de dados bem desenhado, e criar uma clusterização de clientes que sustentou decisões comerciais mais precisas. O resultado foi um aumento de 121% na margem bruta em dois anos, não porque a empresa “tinha um data warehouse”, mas porque o modelo de dados foi desenhado em cima de um método claro de governança e qualidade.

Esse é o ponto central da tese deste artigo: ferramenta nenhuma, seja data lake, data warehouse ou lakehouse, resolve o problema sozinha. O que sustenta o resultado é o método de estruturação por trás dela, entender as fontes, definir regras de qualidade, desenhar a arquitetura certa para o volume e o uso que a empresa realmente tem.

Veja o caso completo: Distribuidora de combustíveis: +121% em margem bruta com BI.

Como decidir na prática

Antes de escolher a tecnologia, vale mapear três pontos com a equipe de engenharia de dados:

  1. Qual é o uso principal do dado? Relatórios e indicadores de gestão pedem data warehouse. Modelos preditivos e dados não estruturados pedem data lake.
  2. Qual é o volume e a diversidade das fontes? Poucas fontes estruturadas, bem conhecidas, favorecem o warehouse. Muitas fontes heterogêneas favorecem o lake ou o lakehouse.
  3. Quem vai consumir o dado? Áreas de negócio precisam de performance e confiabilidade imediatas. Times técnicos podem trabalhar com dado bruto e aplicar tratamento sob demanda.

Esse mapeamento é o trabalho que uma consultoria em engenharia de dados faz antes de qualquer linha de código, e é o que evita que a empresa gaste em uma plataforma que não resolve o problema real. Se quiser entender melhor o papel dessa área, veja também o que é engenharia de dados.

FAQ

Qual a diferença entre data lake e data warehouse?

O data warehouse armazena dados estruturados, já tratados, prontos para análise de BI. O data lake armazena dados brutos, de qualquer formato, sem exigir estrutura prévia. A diferença central está no momento em que o esquema é aplicado: na escrita (warehouse) ou na leitura (lake).

Minha empresa precisa dos dois ao mesmo tempo?

Empresas de médio e grande porte, com necessidades analíticas e de machine learning simultâneas, costumam usar os dois: um data lake para reter dados brutos e um data warehouse (ou lakehouse) para análises de negócio. Empresas menores, com foco só em BI, muitas vezes só precisam de um data warehouse moderno.

O lakehouse substitui o data warehouse?

Pode substituir, dependendo do caso. O lakehouse aplica governança e performance de consulta sobre a base de um data lake, cobrindo boa parte do que um warehouse tradicional faz, com a vantagem de suportar também dados não estruturados no mesmo ambiente.

Quais plataformas usar: BigQuery, Snowflake, Redshift ou Azure Synapse?

Todas são plataformas de data warehouse moderno em nuvem, com boa performance analítica e suporte a governança. A escolha depende do ecossistema de nuvem já usado pela empresa (Google Cloud, AWS ou Azure), do modelo de precificação e das integrações necessárias. Não existe uma resposta única sem entender o contexto do projeto.

Data lake é sempre mais barato que data warehouse?

O armazenamento bruto no data lake costuma ser mais barato por usar object storage. Mas sem governança, o custo de manutenção, retrabalho e “limpeza” de um data lake mal estruturado (o chamado data swamp) pode superar a economia inicial.

Fontes consultadas:

Escolher entre data lake, data warehouse ou lakehouse é uma decisão de arquitetura que impacta custo, governança e velocidade de análise pelos próximos anos. A beAnalytic ajuda sua empresa a mapear o cenário real de dados e desenhar a estrutura certa, sem forçar uma ferramenta genérica. Fale com um especialista em engenharia de dados e descubra qual modelo faz sentido para o seu momento.

Especialista em SEO at   [email protected]

Gabriela Melo é estrategista de conteúdo na beAnalytic, especializada em SEO e GEO. Com foco na criação de conteúdos otimizados para posicionar temas de Business Intelligence e Engenharia de Dados.

Daniel Luz
Daniel Luz
CEO beAnalytic at   [email protected]

CEO da beAnalytic. Na liderança da empresa há mais de 6 anos, minha missão é transformar a forma como as organizações enxergam e utilizam dados para tomar decisões estratégicas. Ajudo empresas a destravar insights valiosos, impulsionar eficiência operacional e gerar impacto financeiro real, com uma equipe especializada em Business Intelligence, Engenharia de Dados e Machine Learning.

2 respostas em “Data Lake vs Data Warehouse: qual sua empresa precisa”

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