Como migrar do Azure Data Factory para o Fabric

Pipelines do Azure Data Factory sendo migrados para o Data Factory do Microsoft Fabric
Sumário

Resposta direta: migrar do Azure Data Factory para o Data Factory do Fabric exige mapear pipelines, conexões, gatilhos e runtimes, porque nem tudo tem equivalente direto. A Microsoft oferece uma experiência de upgrade que classifica cada pipeline como pronto, em revisão, em breve ou incompatível. O caminho mais seguro é migrar por lotes e rodar em paralelo até validar os resultados.

Quem pesquisa como migrar o Data Factory para o Fabric normalmente tem dezenas de pipelines em produção e precisa justificar o esforço. A boa notícia é que a Microsoft já tem ferramentas oficiais para isso. A má notícia é que alguns componentes mudam de conceito e precisam ser refeitos. Este guia mostra o que muda, o que migra fácil e um passo a passo para não parar as cargas.

Informações oficiais conferidas no guia de planejamento de upgrade do Azure Data Factory para o Fabric, atualizado em 05/10/2026. O que é prática da beAnalytic está indicado no texto.

Quais as diferenças entre o Azure Data Factory e o Data Factory do Fabric?

A lógica de pipeline é a mesma, mas conexões, identidade, runtimes e agendamento funcionam de outro jeito. As diferenças que mais afetam a migração:

ComponenteAzure Data FactoryData Factory do FabricImpacto na migração
ConexõesLinked services, que aceitam parâmetros dinâmicosConnections, sem propriedades dinâmicas; a atividade pode receber conteúdo dinâmicoSoluções orientadas a metadados precisam parametrizar o objeto de conexão
DatasetsObjetos reutilizáveis separadosPropriedades definidas dentro de cada atividadeDatasets deixam de existir como objeto
Runtime e gatewaySelf hosted integration runtime (SHIR) e VNet IRGateway de dados on premises (OPDG) e gateway de rede virtualRuntimes precisam ser substituídos
GatilhosUm gatilho para vários pipelines, com gestão centralAgendamento por pipeline, sem reaproveitamentoRecriar agendas pipeline a pipeline
Parâmetros globaisGlobal parametersVariable LibraryConversão com guia próprio da Microsoft
IdentidadeManaged IdentityWorkspace IdentityRevisar permissões nas fontes
Key VaultIntegração madura com todos os tipos de autenticaçãoIntegração limitada via Key Vault ReferenceConferir suporte por conector
Data flowsMapping Data FlowsDataflow Gen2 com transformações MDF (em preview)Parte migra com a ferramenta; o resto precisa ser redesenhado
CobrançaPor atividade e por movimentação de dadosConsumo de CUs da capacidade FabricMuda a forma de prever custo

Vale migrar agora?

Vale migrar agora quando o Fabric já faz parte da estratégia de dados da empresa. Os critérios que usamos com clientes:

  1. Uso de outros itens do Fabric. Se Lakehouse, Warehouse e Power BI já estão no Fabric, manter os pipelines fora cria duas operações.
  2. Tamanho do ambiente. Poucos pipelines simples migram rápido; centenas de pipelines orientados a metadados pedem projeto.
  3. Prazo de contratos. Compromissos de consumo no Azure e renovações influenciam a janela.
  4. Maturidade do time. O time precisa conhecer capacidade, workspaces e governança do Fabric.

Quando esperar: se o ADF roda bem, as cargas alimentam sistemas fora do Fabric e não há plano de adotar a plataforma, a migração traz custo sem ganho claro. Uma etapa intermediária possível é adicionar o ADF existente como item dentro do workspace Fabric. O ADF continua executando no Azure, mas passa a ser visto e governado no Fabric.

O que migra fácil e o que precisa ser reescrito?

Pipelines de cópia e orquestração simples migram fácil. Lógica dinâmica, runtimes e algumas atividades precisam de trabalho.

Migra com pouco esforço:

  • Atividades de cópia entre fontes com conector equivalente.
  • Orquestração com atividades de controle (ForEach, If, Until).
  • Execução de pipelines filhos (vira a atividade Invoke Pipeline).
  • Atividades HDInsight (cinco atividades viram uma).

Precisa ser reescrito ou adaptado:

  • Conexões parametrizadas em arquiteturas orientadas a metadados.
  • SHIR, substituído pelo gateway on premises.
  • Gatilhos compartilhados, recriados por pipeline.
  • Mapping Data Flows fora do suporte da ferramenta de upgrade.
  • Atividades sem equivalente, como Validation (refeita com Get Metadata, laços e If) e Data Lake Analytics (U SQL), serviço já descontinuado.

Quais são as ferramentas oficiais de migração?

A Microsoft oferece três caminhos oficiais, segundo a documentação:

  • Item Azure Data Factory no Fabric: monta o ADF existente dentro de um workspace, para inventário e testes lado a lado.
  • Experiência de upgrade integrada: avalia cada pipeline e atividade, classifica como Ready, Needs review, Coming soon ou Not compatible e faz o upgrade dos suportados para um workspace Fabric. Também converte Mapping Data Flows elegíveis para transformações MDF no Dataflow Gen2, recurso ainda em preview.
  • Upgrade manual: reconstrução no Fabric para pipelines com baixa paridade ou lógica própria.

Como migrar do Azure Data Factory para o Fabric, passo a passo?

Por lotes, com execução em paralelo e comparação de resultados antes de desligar o ADF.

  1. Inventário. Liste pipelines, linked services, datasets, runtimes, gatilhos e dependências. Remova o que não é usado.
  2. Avaliação. Rode a ferramenta de avaliação e confira a paridade de conectores e de atividades.
  3. Priorização. Classifique por impacto no negócio, complexidade e facilidade de migração. Comece pelo que tem alto valor e baixo risco.
  4. Preparação. Instale o gateway on premises, crie as conexões, converta parâmetros globais em Variable Library e configure a identidade do workspace.
  5. Migração por lote. Use a experiência de upgrade para os pipelines prontos e reconstrua manualmente os demais.
  6. Execução em paralelo. Rode ADF e Fabric ao mesmo tempo, gravando em destinos separados.
  7. Comparação. Compare contagem de linhas, somas de valores e tempos de execução (prática beAnalytic).
  8. Virada e desligamento. Aponte os consumidores para o Fabric, desative os gatilhos do ADF e mantenha o ADF parado por um período de segurança antes de excluir.
Pipelines do Azure Data Factory sendo migrados para o Data Factory do Microsoft Fabric

Quais erros mais comuns na migração?

  • Credenciais. Conexões recriadas com usuário pessoal em vez de conta de serviço ou identidade do workspace.
  • Runtime self hosted. Esquecer que o gateway precisa de drivers e acesso de rede iguais aos do SHIR.
  • Horários de gatilho. Agendas recriadas em fuso diferente ou com sobreposição, o que gera cargas duplicadas.
  • Diferenças de custo. Pipelines que custavam pouco por execução no ADF passam a consumir CUs da capacidade e competir com relatórios. Isso pode causar capacidade do Fabric estourada se ninguém planejar.

Caso ilustrativo: 140 pipelines migrados em quatro lotes

Cenário ilustrativo, montado a partir de situações comuns em projetos de dados. A empresa e os números são hipotéticos; as ferramentas e categorias citadas são as oficiais da Microsoft.

Contexto. Uma rede varejista com 120 lojas mantinha 140 pipelines no Azure Data Factory, com dois SHIRs para o ERP local e o sistema de frente de caixa. Os relatórios e o Lakehouse já estavam no Fabric, então a operação ficava dividida entre dois ambientes.

Inventário e avaliação. A planilha de inventário, com uma linha por pipeline, mostrou o seguinte quadro:

ClassificaçãoPipelinesDecisão
Sem execução nos últimos 6 meses31Aposentados antes da migração
Ready (ferramenta de upgrade)78Migrados com a experiência integrada
Needs review22Migrados com ajustes de conexão e parâmetros
Reconstrução manual9Refeitos (conexões dinâmicas e atividade Validation)
Total140

Execução. Quatro lotes ao longo de 12 semanas, priorizando primeiro as cargas de vendas. Cada lote rodou três semanas em paralelo com o ADF, com comparação diária de contagem de linhas e soma de valores.

O que a execução em paralelo pegou. Dois pipelines de fechamento de caixa foram recriados com agenda em UTC e rodavam três horas antes do previsto, duplicando a carga do dia anterior. A diferença apareceu na comparação de somas na primeira semana e foi corrigida antes da virada.

Resultado. Os dois SHIRs foram substituídos por um gateway on premises em cluster, a operação passou a ser monitorada em um só lugar e 22% dos pipelines deixaram de existir por estarem sem uso.

O que esse cenário ensina: o inventário vale tanto quanto a migração. Aposentar o que ninguém usa reduz o esforço antes de qualquer ferramenta entrar em cena.

Para ambientes com fontes ERP, a integração costuma ser o ponto mais sensível. No caso do SAP, os caminhos e cuidados estão no guia de integração do SAP com o Microsoft Fabric.

Resumo para encaminhar à diretoria

  1. Problema: os pipelines estão no Azure Data Factory, enquanto a plataforma de dados está indo para o Fabric.
  2. Opções: manter o ADF, montar o ADF dentro do Fabric como etapa intermediária ou migrar os pipelines por lotes.
  3. Custo ou risco: parte dos pipelines precisa ser refeita; o custo passa a ser consumo da capacidade Fabric.
  4. Recomendação: inventariar, usar a ferramenta oficial de avaliação e migrar por lotes com execução em paralelo.
  5. Próximo passo: plano de migração de pipelines para o Fabric com inventário e priorização.

Perguntas frequentes sobre migração do Azure Data Factory para o Fabric

Preciso migrar todos os pipelines de uma vez?
Não. A própria Microsoft recomenda começar pequeno e migrar por lotes. É possível manter ADF e Fabric convivendo durante a transição.

O self hosted integration runtime funciona no Fabric?
Não. No Fabric, o SHIR é substituído pelo gateway de dados on premises, e o VNet IR pelo gateway de rede virtual.

Os data flows migram automaticamente?
Parte deles. A experiência de upgrade converte Mapping Data Flows elegíveis para transformações MDF no Dataflow Gen2, recurso em preview. Os demais precisam ser redesenhados com Power Query, SQL do Warehouse ou notebooks.

O custo muda depois da migração?
Muda a forma de cobrança. No ADF você paga por atividade e movimentação; no Fabric os pipelines consomem CUs da capacidade contratada, junto com as demais cargas.

Quanto tempo leva uma migração média?
Depende do número de pipelines, da complexidade e da paridade apontada pela ferramenta de avaliação. O inventário e a avaliação, feitos nas primeiras semanas, dão a estimativa real.


Vai migrar seus pipelines para o Fabric? A beAnalytic é consultoria de dados e executa a migração de ponta a ponta. Peça um plano de migração de pipelines para o Fabric com a nossa consultoria de engenharia de dados, veja quando vale migrar do Synapse para o Fabric ou escreva para [email protected].

Daniel Luz
Daniel Luz
CEO beAnalytic at  – [email protected]

CEO da beAnalytic. Na liderança da empresa há mais de 6 anos, minha missão é transformar a forma como as organizações enxergam e utilizam dados para tomar decisões estratégicas. Ajudo empresas a destravar insights valiosos, impulsionar eficiência operacional e gerar impacto financeiro real, com uma equipe especializada em Business Intelligence, Engenharia de Dados e Machine Learning.

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