A proposta da consultoria de dados chegou no seu e-mail. O PDF tem 20 páginas, linguagem técnica, alguns gráficos bonitos e um número no final que você precisa aprovar. O problema é que, se você não é da área de dados, fica difícil saber se o que está escrito ali é bom, razoável ou problemática.
A maioria dos decisores assina propostas de consultoria de dados sem saber exatamente o que está comprando. Não por descuido, mas porque ninguém ensinou a ler esse tipo de documento de forma crítica. E as consequências aparecem lá na frente, quando o projeto entrega menos do que o esperado, quando o escopo muda e o custo sobe, ou quando o contrato termina e você percebe que não ficou com nada que funciona sem a consultoria presente.
Esse guia resolve isso. Vamos passar item por item pelo que uma boa proposta de consultoria de dados deve conter, o que cada elemento significa na prática e quais sinais indicam que algo não está certo.
O que uma boa proposta de dados deve ter
Escopo detalhado com entregáveis específicos
O escopo é a parte mais importante de qualquer proposta e, ironicamente, a que mais costuma ser vaga. Uma boa proposta não descreve o que vai ser feito em termos genéricos. Ela descreve o que vai ser entregue de forma que você consiga verificar se foi entregue ou não.
Quando você lê o escopo, deve ser capaz de responder: ao final do projeto, o que exatamente vou ter em mãos? Se a resposta for imprecisa, o escopo está impreciso.
Composição nominal do time
A proposta deve dizer quem vai trabalhar no seu projeto. Não “um time de especialistas em dados”. Os nomes, os cargos e uma linha sobre a experiência de cada um.
Metodologia de projeto descrita
Uma boa proposta explica como o trabalho vai ser feito, não só o que vai ser feito. Isso inclui como as sprints são organizadas, como as demandas entram e são priorizadas, como as entregas são revisadas e aprovadas, e o que acontece quando surge um problema técnico no meio do caminho.
Cronograma com marcos intermediários
O cronograma não pode ser só “entrega final em X semanas”. Precisa ter marcos intermediários com datas e entregáveis associados. Diagnóstico concluído até a data tal, primeiros pipelines em ambiente de homologação até a data tal, dashboards para validação até a data tal, entrega final até a data tal.
Critérios de aceite definidos
Esse é o item que mais falta nas propostas e o que mais gera conflito no final dos projetos. Critérios de aceite são as condições que precisam ser satisfeitas para que uma entrega seja considerada concluída.
Modelo de comunicação
Como vai funcionar a comunicação ao longo do projeto? Canal principal, frequência de reuniões, quem é o ponto de contato do lado deles, qual é o tempo de resposta esperado para dúvidas e solicitações, como você escala quando tem um problema urgente.
Propriedade intelectual definida
Tudo que for desenvolvido no seu projeto, código, dashboards, pipelines, modelos de dados, documentação, precisa pertencer a você ao final do contrato. Isso parece óbvio, mas nem sempre está explícito no contrato.
Cláusula de saída
Cláusula de saída equilibrada é sinal de consultoria confiante na própria entrega. Cláusula de saída punitiva ou inexistente é sinal de que a consultoria sabe que pode precisar dela.
SLA de suporte pós-entrega
O projeto termina, os dashboards estão no ar, e dois meses depois algo quebra porque o sistema de origem mudou a estrutura de um campo. Quem resolve? Em quanto tempo? Com qual custo?
O que deve-se evitar em uma proposta técnica de consultoria de dados
- Proposta genérica sem personalização
- Entregáveis vagos
- Preço sem breakdown
- Sem menção de quem vai trabalhar
- Sem metodologia descrita
Como comparar propostas de forma objetiva
Quando você tem duas ou três propostas em mãos, a comparação pelo preço é a mais fácil e a menos útil. Preço sem contexto de escopo, time e metodologia não diz nada sobre valor.
Uma forma mais estruturada é criar uma tabela simples com os itens que listamos acima e marcar quais propostas incluem cada um. A proposta que cobre mais itens de forma específica e verificável tende a ser a mais séria, independentemente de ser a mais barata ou a mais cara.
Pergunte também o que está fora do escopo em cada proposta. Propostas mais baratas frequentemente excluem itens que você vai precisar e que vão aparecer como custo adicional no meio do projeto. Custo total é mais relevante do que custo inicial.
Para entender como avaliar fornecedores além da proposta, com as perguntas certas para fazer nas reuniões de qualificação, o artigo da beAnalytic com as 15 perguntas para fazer antes de contratar uma consultoria de dados complementa bem esse guia de leitura de proposta.
Segundo o Instituto de Gerenciamento de Projetos, o PMI, mais de 50% dos projetos de tecnologia que falham têm como causa raiz escopo mal definido no início do contrato. Ler a proposta com o nível de atenção que esse guia sugere não é burocracia. É a forma mais eficiente de evitar fazer parte dessa estatística.
E se você quiser entender como uma proposta bem estruturada se parece na prática, o conteúdo da beAnalytic sobre consultoria em Business Intelligence detalha como a empresa estrutura escopo, time e entregáveis em projetos de diferentes portes e complexidades.
Quer fazer sua proposta de dados?
A beAnalytic faz, se você quer entender o que está avaliando antes de assinar, a gente lê junto com você e aponta o que está bem, o que está faltando e o que merece atenção.
Gabriela Melo é estrategista de conteúdo na beAnalytic, especializada em SEO e GEO. Com foco na criação de conteúdos otimizados para posicionar temas de Business Intelligence e Engenharia de Dados.
- Gabriela Melo
