Dashboards que ninguém usa: por que acontece e como evitar

Dashboards que ninguém usa: por que acontece e como evitar
Sumário

Em algum lugar no seu ambiente de BI existe, dashboards que ninguém abre.

Talvez ele tenha sido entregue com uma apresentação caprichada. Talvez o fornecedor tenha feito uma demo animada mostrando os filtros interativos e o gráfico de waterfall. Talvez você mesmo tenha ficado satisfeito no dia da entrega. E então, três meses depois, você percebeu que o único usuário ativo era você mesmo, verificando se alguém tinha entrado.

Essa não é uma experiência rara. Estimativas do setor apontam que cerca de 70% dos projetos de BI não são sustentados além dos primeiros seis meses. O dashboard fica lá, tecnicamente funcional, acessível, atualizado. E completamente ignorado.

O instinto mais comum é culpar a ferramenta. O Power BI é complicado demais. O Tableau é caro demais. O Looker é difícil de navegar. Mas a ferramenta raramente é a causa real. As causas reais são humanas e organizacionais, e a maioria delas poderia ter sido evitada com decisões diferentes bem antes do primeiro sprint de desenvolvimento.

Vamos ao que realmente acontece.

1. O dashboard foi construído sem envolver quem vai usar

Esse é o padrão mais comum e, de longe, o mais previsível. O projeto começa na área de TI ou no time de dados. Os requisitos são levantados com base no que é tecnicamente viável, no que o sistema consegue exportar, no que a ferramenta suporta nativamente. O usuário final, aquele gestor de vendas ou de operações que deveria abrir o dashboard toda segunda de manhã, é consultado uma vez, superficialmente, no início do projeto.

O resultado é um painel que responde às perguntas que o time de TI achava que o gestor tinha. Não as perguntas que o gestor realmente tem às 8h da manhã quando precisa decidir alguma coisa.

Quando o dashboard é entregue, o gestor olha, não reconhece o próprio trabalho naquelas telas, e volta para a planilha que ele sempre usou. A planilha que, por mais limitada que seja, pelo menos foi construída por ele, para as perguntas dele.

2. As métricas medem o que é fácil, não o que importa

Todo sistema tem dados que saem facilmente e dados que exigem trabalho para extrair. Num projeto com prazo e orçamento controlados, existe uma pressão natural para usar o que está disponível. O resultado são dashboards recheados de métricas operacionais que ninguém contesta, mas que também ninguém usa para decidir nada.

Número de chamados abertos. Volume de pedidos processados. Taxa de ocupação de estoque. Métricas verdadeiras, mensuráveis, e completamente desconectadas das perguntas que um diretor ou gerente precisa responder para conduzir o negócio.

O gestor abre o dashboard, vê números que não dizem nada sobre o que ele precisa decidir hoje, fecha, e não volta. O ciclo se repete por algumas semanas até que o acesso vira rotina zero.

3. O projeto foi entregue, e aí o fornecedor foi embora

Existe um modelo de entrega muito comum em projetos de BI que poderia ser resumido assim: construir, apresentar, tchau. O dashboard é desenvolvido, validado tecnicamente, entregue numa reunião de encerramento, e a consultoria vai para o próximo projeto. O cliente fica com um produto que funciona e um time que não sabe o que fazer com ele.

Treinamento de adoção não é mostrar onde estão os filtros. É garantir que os usuários entendam como o dashboard se conecta ao trabalho deles. É criar uma rotina de uso. É acompanhar os primeiros acessos, identificar resistências, ajustar o que não está claro. É um processo que leva semanas, não uma tarde.

Quando isso não acontece, o que surge é uma combinação de desconforto e desconfiança. O gestor não sabe ao certo se está interpretando o dado corretamente, prefere não arriscar uma decisão errada baseada em algo que não entende completamente, e volta para o método anterior que, por mais que seja inferior tecnicamente, pelo menos ele domina.

4. O gestor abriu uma vez, viu dado errado, nunca mais abriu

Esse cenário tem um nome informal no mercado: o momento do dado errado. É o instante em que um usuário abre o dashboard pela primeira vez com disposição genuína para usar, encontra um número que claramente não bate com a realidade que ele conhece, e fecha a aba com uma conclusão simples: esse sistema não presta.

A partir daí, qualquer esforço de convencer esse usuário a voltar é multiplicado por dez. Porque agora ele não tem só resistência ao novo. Ele tem evidência concreta de que o sistema falhou.

Os dados desatualizados ou inconsistentes são um problema técnico com consequências comportamentais severas. Um pipeline que falhou silenciosamente, uma integração que parou de atualizar, um cálculo que usa uma lógica diferente da que o gestor conhece. Pequenos problemas técnicos que, do ponto de vista do usuário, invalidam todo o projeto.

5. O dashboard foi construído para impressionar, não para decidir

Esse é o mais silencioso dos cinco problemas porque, durante a apresentação de entrega, todo mundo aplaude.

Gradientes elegantes. Mapas geográficos com bolhas animadas. Um KPI card com fonte grande no centro da tela. Três abas com doze gráficos cada uma. A demo dura quarenta minutos e o time de dados está claramente orgulhoso do resultado.

E então o gestor tenta usar aquilo no dia seguinte para tomar uma decisão real, e percebe que não consegue encontrar o número que precisa. Que o gráfico mais bonito não responde à pergunta mais importante. Que o mapa é visualmente impressionante e operacionalmente inútil. Que as doze métricas na primeira aba são doze formas diferentes de ver a mesma coisa que ele já sabia.

Dashboard bonito não é necessariamente dashboard útil. E o problema é que, durante o processo de desenvolvimento, é muito mais fácil medir o visual do que medir a utilidade. Então os esforços vão para onde são mais visíveis.

Para ver como isso se aplica na prática, você pode explorar cases reais de projetos entregues pela beAnalytic.

O problema não é o BI. É como o BI é implementado.

Nenhuma das cinco causas acima é um problema de ferramenta. Power BI, Tableau, Looker, Metabase. Qualquer uma delas pode entregar um dashboard que ninguém usa. E qualquer uma delas pode entregar um dashboard que vira parte essencial da rotina do negócio.

A diferença não está na tecnologia. Está no processo de descoberta, no envolvimento dos usuários, na qualidade dos dados, no plano de adoção e na clareza sobre o que o dashboard precisa fazer pelo negócio.

Segundo o Gartner, a principal razão pela qual iniciativas de analytics não geram valor não é tecnológica. É a ausência de uma estratégia de mudança organizacional que acompanhe a implementação técnica. Em outras palavras: o software funciona. O problema está no que acontece ao redor dele.

Se você está avaliando um novo projeto de BI, use esse diagnóstico como checklist. Pergunte ao fornecedor como ele previne cada um desses problemas. Se você já tem um dashboard que ninguém abre, use esse diagnóstico para entender por onde começar a corrigir.

A adoção não é sorte. É método.

Especialista em SEO at   [email protected]

Gabriela Melo é estrategista de conteúdo na beAnalytic, especializada em SEO e GEO. Com foco na criação de conteúdos otimizados para posicionar temas de Business Intelligence e Engenharia de Dados.

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