BI e dados para empresas de saúde: guia para gestores

BI e dados para empresas de saúde: guia para gestores
Sumário

No setor de saúde, os hospitais e clínicas de médio porte no Brasil gera, todos os dias, um volume de dados que seria suficiente para alimentar decisões muito melhores do que as que estão sendo tomadas. Dados de faturamento, de ocupação, de tempo de permanência, de custo por procedimento, de produtividade médica, de glosa por convênio. Tudo isso existe, está sendo registrado em algum sistema, e na maior parte dos casos está completamente subutilizado. O problema não é falta de dado. É falta de estrutura para transformar dado em informação que o gestor consegue usar na hora certa, através do business intelligence (BI).

Se você é diretor administrativo ou CDO de uma instituição de saúde e está avaliando uma consultoria de dados, esse artigo vai te ajudar a entender o que é específico do seu setor, o que exigir de um parceiro que diz que entende saúde, e o que esperar de resultado em termos de prazo e investimento.

Os dados que hospitais e clínicas têm mas não conseguem usa

Um hospital de médio porte típico opera com pelo menos quatro ou cinco sistemas simultâneos: um HIS para gestão hospitalar, um RIS para radiologia, um LIS para laboratório, um sistema de faturamento separado e, dependendo da estrutura, um prontuário eletrônico que pode ou não conversar com os demais. Cada um desses sistemas gera dados continuamente. E raramente eles se falam entre si de forma automática e confiável.

O resultado prático é que o diretor administrativo que quer entender o custo real de um determinado tipo de internação precisa cruzar informações de pelo menos três sistemas diferentes, geralmente com a ajuda de alguém que conhece os atalhos de exportação de cada um, e ainda assim vai chegar a um número que tem uma margem de imprecisão difícil de quantificar.

Indicadores que deveriam ser monitorados diariamente, como taxa de ocupação por ala, tempo médio de permanência, índice de glosa por convênio, custo de insumos por procedimento, ficam sendo calculados manualmente, com periodicidade mensal quando deveriam ser semanais, e com imprecisão quando deveriam ser confiáveis.

Isso não é problema de competência da equipe. É problema de arquitetura de dados. E é exatamente o tipo de problema que uma consultoria especializada em saúde resolve.

Desafios únicos de dados na saúde

O setor de saúde tem especificidades que tornam projetos de dados mais complexos do que em outros setores. Uma consultoria que não entende essas especificidades antes de você precisar explicar vai gerar mais problemas do que soluções.

LGPD aplicada a dados de saúde

Dados de saúde são classificados pela LGPD como dados sensíveis, o que impõe obrigações adicionais em relação ao tratamento, armazenamento, compartilhamento e acesso. Isso não é detalhe: é risco jurídico e reputacional real. Um projeto de BI em saúde que não trata a arquitetura de dados com as camadas adequadas de anonimização, controle de acesso e rastreabilidade de uso não está em conformidade com a lei.

Integração com sistemas legados

HIS e RIS são sistemas que em muitas instituições têm 10 a 15 anos de uso. Muitos rodam em arquiteturas antigas, têm documentação de API precária ou inexistente, e foram construídos em uma época em que interoperabilidade não era prioridade de ninguém. Integrar esses sistemas com uma plataforma moderna de BI é tecnicamente mais trabalhoso do que integrar, por exemplo, um ERP contemporâneo.

Regulatório e compliance

O setor de saúde opera sob regulação da ANS para operadoras, da ANVISA para serviços hospitalares, e do CFM e CRM para aspectos relacionados à prática médica. Qualquer projeto de dados que envolva indicadores de qualidade assistencial, produtividade médica ou gestão de prontuário precisa respeitar essas fronteiras regulatórias.

O que exigir de uma consultoria de dados para saúde

Antes de contratar qualquer parceiro para um projeto de dados no setor de saúde, use este checklist como referência mínima de avaliação.

A consultoria tem cases documentados em saúde, com resultados mensuráveis? Não logos de hospitais na apresentação. Cases com métricas reais: redução de glosa em X%, aumento de taxa de ocupação em Y pontos, economia de Z horas mensais em faturamento manual.

Existe alguém no time com conhecimento de codificação de procedimentos, como TUSS, CBHPM e CID, e de fluxo de faturamento para convênios? Glosa e faturamento são os casos de uso de maior impacto financeiro imediato em saúde, e entender as regras de cada convênio é pré-requisito para qualquer análise útil nessa área.

A arquitetura proposta prevê separação clara entre dados assistenciais e dados operacionais, com controles de acesso diferenciados?

A consultoria tem posição clara sobre LGPD e dados sensíveis? A resposta vai revelar muito sobre a maturidade do parceiro.

Casos de uso prioritários: onde dados geram mais resultado em saúde

Análise de glosa e faturamento

Glosa é o problema mais caro e mais evitável da operação financeira de hospitais e clínicas. Segundo dados da Federação Brasileira de Hospitais, a taxa média de glosa no setor pode chegar a 15% do faturamento bruto em algumas instituições, com boa parte sendo glosa técnica e administrativa que poderia ser evitada com processos mais bem controlados.

Um projeto de BI focado em faturamento consegue identificar os convênios com maior índice de glosa, os tipos de procedimento mais glosados, os erros de codificação mais frequentes e os profissionais ou setores que mais geram inconsistências no faturamento.

Eficiência operacional e gestão de leitos

Taxa de ocupação, tempo médio de permanência, giro de leito, tempo de espera para internação. Esses indicadores existem em qualquer sistema hospitalar, mas raramente estão disponíveis em tempo real e raramente são cruzados entre si de forma que gerem ação imediata.

Um painel de gestão de leitos bem construído permite que o gestor de internação veja em tempo real quais leitos estão ocupados, quais têm previsão de alta nas próximas horas e quais estão bloqueados por razões que poderiam ser resolvidas. Essa visibilidade tem impacto direto na capacidade de atendimento da instituição sem precisar aumentar o número de leitos físicos.

Custo por procedimento e por paciente

Esse é o indicador que a maioria das instituições de saúde não consegue calcular com precisão. Saber quanto custa, de verdade, um determinado procedimento cirúrgico, considerando insumos, tempo de centro cirúrgico, diária, equipe e overhead, é pré-requisito para qualquer negociação de tabela com convênios e para decisões de mix de procedimentos.

Indicadores de qualidade assistencial

Taxa de reinternação em 30 dias, taxa de infecção hospitalar, tempo até o diagnóstico em urgência. Esses indicadores são cada vez mais exigidos por acreditadoras como a ONA e a JCI, e são crescentemente usados por operadoras de saúde para qualificar a rede credenciada. Ter esses dados estruturados não é só uma questão de gestão interna. É um diferencial competitivo e um requisito regulatório em crescimento.

Para entender como projetos de dados em saúde se estruturam na prática, incluindo como uma consultoria especializada aborda a integração de sistemas e a conformidade com LGPD, vale consultar o conteúdo da beAnalytic sobre consultoria de dados para o setor de saúde, que detalha casos de uso e abordagem metodológica específica para o setor.

Quanto custa e quanto tempo leva

Um projeto de BI para saúde tem algumas particularidades de prazo e custo em relação a projetos em outros setores, principalmente por causa da complexidade de integração com sistemas legados e das camadas adicionais de segurança e conformidade exigidas.

Um projeto inicial bem escopo, cobrindo integração de duas a três fontes de dados, construção de três a cinco dashboards prioritários e configuração de controles de acesso conformes com LGPD, leva tipicamente entre 10 e 16 semanas. O prazo maior em relação a outros setores reflete principalmente o tempo de extração e tratamento de dados de sistemas como HIS e LIS, que raramente têm APIs bem documentadas.

O modelo de contrato mais comum nesse setor é o híbrido: projeto inicial para construir a fundação, seguido de retainer mensal para evolução e manutenção. Isso faz sentido porque as demandas de dados em saúde não param depois do projeto inicial. Novos convênios entram, novos indicadores são exigidos pelas acreditadoras, novas áreas pedem visibilidade.

Para uma referência externa sobre maturidade de dados no setor de saúde brasileiro e o impacto de analytics em eficiência operacional hospitalar, o portal do Conselho Federal de Medicina publica regularmente estudos e dados sobre o setor que contextualizam bem a relevância da gestão baseada em dados para instituições de saúde no Brasil.

E se você quiser entender como avaliar fornecedores antes de tomar qualquer decisão, o artigo da beAnalytic com as 15 perguntas para fazer na reunião com consultoria de dados traz um roteiro completo de due diligence que se aplica integralmente à avaliação de parceiros para projetos em saúde.

Quer falar com quem entende os dados da saúde?

A beAnalytic tem experiência em projetos de analytics para hospitais, clínicas e operadoras de saúde, com domínio dos sistemas, do regulatório e dos casos de uso que realmente movem o resultado financeiro e assistencial de uma instituição. Em um diagnóstico gratuito, a gente entende o seu contexto e mostra onde estão as maiores oportunidades com dados na sua operação.

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Gabriela Melo é estrategista de conteúdo na beAnalytic, especializada em SEO e GEO. Com foco na criação de conteúdos otimizados para posicionar temas de Business Intelligence e Engenharia de Dados.

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