Análise de dados para tomada de decisão – como não cair em armadilhas

Análise de dados para tomada de decisão – como não cair em armadilhas

Com a revolução da tecnologia de informação e comunicação a análise de dados para a tomada de decisão tem se tornado cada vez mais importante. Porém, com a enorme variedade de dados disponíveis é preciso saber para onde olhar e como utilizá-los a nosso favor.

Em um artigo de seu blog, James Clear escreve sobre erros mentais que nos afastam da boa tomada de decisão. O autor do bestseller “Atomic Habits”, discorre a respeito de vieses e heurísticas que influenciam nossas escolhas.

Em seu livro “O poder dos números”, a phD em econometria Sanne Blauw mostra como as estatísticas, percentuais e análises podem nos enganar e desenganar.

João Henrique Cassaro, CEO da Board Consult, conta, ao nosso DadosCast, como os dados foram importantes para superar desafios durante a pandemia.

O quê Daniel Kahneman, Nassim Taleb, Leonard Mlodinow e Chris Anderson, têm em comum? Eles escreveram sobre a importância dos dados, ainda que sob perspectivas diferentes. Além disso, todos exploram a influência do fator humano, em tomadas de decisão, mesmo aquelas baseadas em dados.

Levando em consideração a importância da assertividade nas escolhas. Reunimos algumas dicas que podem ajudar na análise de dados para a tomada de decisão, de forma eficaz e sem cair em armadilhas.

Correlação x Causalidade

Um dos erros mais comum é confundir causalidade com correlação. Enquanto o primeiro trata de causa e efeito o segundo pode ser uma estatística sem significado.

É muito comum olhar para duas variáveis com alta correlação e inferir causalidade, mas contexto importa, e muito! Um exemplo que ilustra a diferença entre esses dois conceitos é o do aumento de consumo de picolés acompanhado de uma crescente nos números de afogamentos.

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O que o gráfico mostra é uma alta correlação entre esses dois acontecimentos. Mas como você explicaria um afogamento sendo causado pelo consumo de picolé? Pois é, não existe uma relação direta entre um evento e o outro. No entanto existem outras variáveis que explicam tanto o aumento no consumo de picolé como o número de afogamento.

Os picos observados correspondem aos períodos mais quentes do ano. Geralmente são nesses dias que as pessoas consomem mais picolés e frequentam mais praias e piscinas. Sendo assim o aumento dos afogamentos está relacionado ao aumento da temperatura, não ao consumo de picolé.

Antes de tomar qualquer decisão lembre: correlação não implica causalidade. É importante que exista uma lógica de associação para que a causalidade seja estabelecida.

Vieses e Heurísticas

Vieses são tendências gerais que guiam nossos, pensamentos atitudes e tomadas de decisão.

Heurísticas são procedimentos mentais simplificados que buscam responder questões complexas. Também podem ser vistas como estratégias que eliminam alternativas para chegar à conclusões com mais agilidade.

Viés do sobrevivente:

O viés de sobrevivência se refere a tendência que temos de focar nos resultados de sucesso, esquecendo todos os fracassos atrelados à mesma prática, processo ou estratégia.

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Com certeza você já leu ou ouviu em algum lugar algo como: “Não é precisa da faculdade para ter sucesso, Richard Branson, Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg deixaram a faculdade para se tornar bilionários. Pare de desperdiçar seu tempo com aulas para começar a fazer.”

Esse pensamento ignora todos que abandonaram os estudos para empreender, mas não obtiveram sucesso, estão com um diploma pendente e dívidas acumuladas.

É preciso saber diferenciar o “apesar de” do “por causa de”.
Jobs e Gates conquistaram o sucesso apesar de abandonarem os estudos e não por terem abandonado os estudos.

Para cada LeBron James que se torna MVP por treinar todos os dias mesmo durante as férias, existe 1 milhão de jogadores de basquete que treinam tão intensamente quanto e nunca chegaram na NBA. Assim como existem vários jogadores da NBA que não adotam uma rotina de treino tão exaustiva e ainda assim são bem sucedidos.

Existe uma diversidade de fatores que influenciam a carreira desses astros, bem como o sucesso de uma empresa, reduzir a sua análise dos dados para tomada de decisão à uma variável única, não é a melhor jogada.

Aversão à perda:

Nesse ponto a lição é que a dor da perda não é proporcional ao prazer do ganho. Se no seu caminho até o trabalho você passar por 5 sinais verdes isso vai te deixar contente. Porém a magnitude desse sentimento não se compara à sensação de perder a oportunidade de passar em um sinal verde porque o carro a sua frente estava muito devagar.

O mesmo é verdade em muitas outras ocasiões. Não é a toa que Tim Brown, famoso por disseminar a metodologia do Design Thinking para diversos setores produtivos, destaca a importância de investir apenas o tempo, esforço e capital suficientes na construção de um protótipo. Empregar o mínimo possível de recursos reduz o ‘apego’ a ideia inicial, o que te deixa mais aberto à feedbacks para realizar mudanças e melhorias. Isso aumenta as chances de sucesso da inovação, e quanto mais rápido você conseguir chegar nesse estágio melhor.

Em momentos como esses a análise de dados para tomada de decisão é ainda mais importante. É preciso olhar para o que os números relativos ao desempenho do seu produto ou serviço mostram. Colocando o ganho potencial das mudanças e as perdas de investimentos passados em balanças com escalas da mesma grandeza.

Em resumo não deixe passar a oportunidade de ganhar 1.000.000 porque não quer perder 1.000.

Heurística da disponibilidade:

A maioria pessoas ficam chocadas ao saber da pesquisa de Steven Pinker, professor da Universidade de Harvard, que demonstra que vivemos o período menos violento da história. Isso porque somos expostos diariamente a notícias de violência, guerras, ataques terroristas e abusos de todos os tipos. Se olharmos para os dados no entanto a história é outra, Pinker afirma que a única forma sensata de avaliar o estado atual é ‘contar’ – Quantos ataques violentos ocorreram em detrimento de quantos poderiam ter acontecido? Esse número tem crescido ou diminuído?

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Em outras palavras leve em consideração as linhas de tendência e não as linhas das manchetes de noticiários. Para saber um pouco mais sobre o assunto leia The world is not falling apart by Steven Pinker.

Números impressionantes:

Já sabemos que é preciso ter confiança nos dados que guiam as tomadas de decisão, porém muitas vezes valores grandes e gráficos atrativos podem apontar para a direção errada.

Ao fazer uma pesquisa de intenção de compra para um novo lançamento da sua empresa o setor de P&D descobriu que 90% dos entrevistados se mostraram interessados. Antes dessa notícia te animar é importante saber como se chegou a esse número. Se você descobrir que apenas consumidores fiéis da sua marca foram entrevistados, e que o preço elevado do novo produto não foi mencionado, sugiro que você adie essa comemoração.

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Quando alguém fala em um aumento de 50% também é fácil de se impressionar. No entanto, 50% de um número muito pequeno ainda é muito pouco. Antes de colocar suas fichas na fatia apresentada olhe para o todo.

Viés de confirmação:

Lembra quando você decidiu comprar um carro branco e começou a ver cada vez mais carros brancos ao passar pelas ruas?
Você pode até não ter passado exatamente por isso, mas já passou por algo parecido. Nós seres humanos temos uma tendência natural de procurar aquilo que confirma nossas crenças e reafirma nossas decisões.

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O viés da confirmação está resumido na frase: “Torture os números e eles confessaram o que você quiser”. Para ganhar um debate apontar apenas os dados que reforçam seu argumento pode ser útil. Entretanto, na hora da tomada de decisão é importante considerar olhar para os fatos.

Evite ter uma ideia pré-concebida na hora de analisar os dados. Procurar dados que confirmem suas suspeitas, embora possa parecer lógico, não é o caminho ideal. No lugar disso, procure coletar os dados primeiro. Em seguida, analise objetivamente seus achados. Somente assim será possível chegar à conclusões baseadas em fatos.

Muito mais…

A análise de dados para tomada de decisão é importante e complexa. Contexto, escalas, dimensões e amostragem são mais alguns pontos à serem levados em consideração.

O universo dos dados tem se tornado cada vez mais relevante. Use a análise de dados à seu favor. Esse é um ótimo caminho para avaliar resultados e tomar decisões inteligentes.

A beAnalytic pode te ajudar! 

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